PCP aborda processo de revisão do PDM do Funchal

O PCP/Madeira promove amanhã, quinta-feira, dia 4 de Agosto de 2016, uma iniciativa política que incidirá sobre o processo de revisão do PDM – Plano Director Municipal do Funchal e os impactos negativos resultantes dos atrasos deste processo.

Pelas 15h00 estão previstas declarações junto à entrada principal do edifício-sede da Câmara Municipal do Funchal, na Praça do Município, para a apresentação das conclusões pelo vereador Artur Andrade.

Ataque no centro de Londres faz um morto e cinco feridos

Calma: ainda é cedo para deitar o fio dentário ao lixo

04.08.2016 às 8h00

MARIANA LIMA CUNHA

Não queremos alarmar ninguém, mas leia as próximas linhas com atenção, porque os seus hábitos de saúde podem estar prestes a mudar. Os norte-americanos deixaram de recomendar o uso do fio dentário porque perceberam que afinal não há estudos que comprovem a sua eficácia, mas é preciso ter calma: em Portugal, os especialistas insistem que este é um bom hábito que se deve manter

Os 5 falhanços do FMI em Portugal

Oindependent Evaluation Office (IEO), um órgão independente do Fundo Monetário Internacional (FMI) que faz avaliações das suas políticas, produziu um relatório sobre os programas conduzidos na zona euro durante a crise da dívida pública. Foram avaliadas intervenções na Grécia, Irlanda e em Portugal.

E as conclusões, em geral, são críticas para a atuação do Fundo, nomeadamente sobre a qualidade das projeções macroeconómicas, as estimativas dos impactos da consolidação orçamental e até a forma de lidar com a necessidade de tratar da questão quase tabu da restruturação da dívida pública. Claro que houve dados positivos e Portugal até nem é o caso mais grave perante uma Grécia ainda em sérias dificuldades.

O IEO reconhece alguns erros gerais na gestão que o FMI fez da crise e também alguns problemas específicos para cada país. O Expresso leu os documentos e compilou os principais 5 falhanços em Portugal.

1. PREVISÕES ECONÓMICAS EXCESSIVAMENTE OTIMISTAS

É uma das críticas clássicas ao programa da troika em Portugal. Basta olhar de relance para os números avançados em maio de 2011 para detetar uma enorme divergência.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito: basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso. pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido)

Organismo do FMI reconhece erros no resgate português

N

o faltaram erros na forma de atuar do Fundo Monetário Internacional (FMI) nos resgates efetuados na zona euro. Muitos deles foram sendo reconhecidos ao longo do processo, como o dos multiplicadores aplicados nos quadros Excel para a Grécia, Irlanda e Portugal, ou do adiamento por dois anos da reestruturação da dívida grega.

O FMI alega que os erros foram sendo corrigidos e que, quanto às condições excecionais que aceitou para os resgates, contornando inclusive regras de ouro do Fundo, elas estão a ser revistas, agora, nomeadamente na avaliação ex-post que está em curso para Portugal e na insistência para que haja um alívio de dívida por parte dos credores oficiais europeus à Grécia no âmbito do terceiro resgate.

Aliás, no relatório de avaliação específico sobre Portugal, também divulgado esta quinta-feira, sublinha-se que uma lição a tirar é que, “na ausência de um mecanismo que permita uma reestruturação ordenada da dívida, as crises de balança de pagamentos em países membros de uma união monetária evoluirão provavelmente para grandes recessões”.

O que foi saindo às pinguinhas em notas técnicas nos principais relatórios do FMI e em artigos científicos publicados por nomes sonantes do Fundo, como o ex-economista chefe Olivier Blanchard, é, agora, sintetizado pelo Organismo de Avaliação Independente (Independent Evaluation Office – IEO) do Fundo Monetário Internacional (FMI). Este organismo, independente da direção do Fundo, serve precisamente para avaliar as políticas seguidas pela instituição.

No “Relatório sobre o FMI e as crises na Grécia, Irlanda e Portugal”, publicado esta quinta-feira em Washington, são vários os erros ocorridos nos resgates na zona euro nos quais o Fundo participou em paralelo com a União Europeia, através da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu. Os primeiros dois problemas detetados estão relacionados com as estimativas económicas e orçamentais: o FMI apoiou programas de resgate na Grécia e Portugal que se basearam em projeções de crescimento excessivamente otimistas e, ao mesmo tempo, foram usados multiplicadores orçamentais que subestimavam o efeito negativo das medidas.

No caso português, foi usado inicialmente um multiplicador de 0,5 (idêntico ao de outros programas) e em outubro de 2012 foi revisto para 0,8. Ou seja, o estrago provocado no PIB por cada euro de austeridade passou de 50 para 80 cêntimos.

Este erro levou a recessões profundas e mais demoradas do que o esperado nos países resgatados, ainda por cima agravadas porque as retomas europeia e mundial foram “mais fracas do que o previsto”, como sublinhou Christine Lagarde, na sua resposta às recomendações. Em suma, um erro inicial teve um impacto endógeno (nos resgatados) muito duro e foi ampliado pelo contexto exógeno, da zona euro e da economia global. Um dos ‘choques’ no caso português foi “a recessão na zona euro que afetou severamente o principal parceiro de Portugal, a Espanha”, como sublinha o relatório epecífico sobre o resgate português, elaborado por Martin Eichenbaum, Sérgio Rebelo e Carlos Resende.

Mas houve outros problemas, como foi a decisão do Fundo em isentar por razões de risco sistémico os membros do euro a resgatar da aplicação da exigência de reestruturação prévia da dívida soberana no caso de não estar garantida a sua sustentabilidade. Essa isenção começou logo com o caso do primeiro resgate à Grécia, em 2010, o que só foi corrigido, dois anos depois, com o programa de reestruturação da dívida privada e com novas condições de refinanciamento por parte dos credores oficiais. O Fundo corrigiu o tiro inicial e, por isso, exige hoje um alívio da dívida por parte dos credores oficiais europeus.

A somar a tudo isto destacaram-se ritmos irrealistas exigidos para as reformas estruturais, o facto de o Fundo ter perdido “a sua característica agilidade como gestor de crise”, a sua direção executiva ter desempenhado “um papel limitado na sua função de supervisão durante muito do período de crise” e a ideia de que o FMI poderia esta a tratar “de um modo diferente” economias desenvolvidas, e em particular as da zona euro na Europa .

LAGARDE DEITA ÁGUA NA FERVURA

O FMI procura deitar água na fervura, salientando que os programas em que se envolveu na zona euro desde 2010 foram um sucesso, mas limitado, como sublinha Christine Lagarde, a sua diretora-geral, na apreciação sobre o documento.

No caso português, os avaliadores são claros sobre as limitações: a desvalorização fiscal não foi implementada, as reformas estruturais foram incompletas e as metas orçamentais iniciais não foram alcançadas. Consideram, também, que a sustentabilidade da dívida pública continua “frágil”.

O IEO reconhece que a intervenção do FMI nos resgates de quatro membros do euro – Grécia, Irlanda, Portugal e Chipre, por ordem cronológica – foi uma situação nova. Foi a primeira vez que o Fundo se “envolveu diretamente em programas de ajustamento para economias desenvolvidas pertencentes a uma união monetária”. Os diretores executivos do Fundo reforçam este contexto de “circunstâncias sem precedentes” em que “se navegou em território desconhecido” em países que sofreram um corte abrupto no acesso ao financiamento nos mercados, onde não se podia recorrer à flexibilidade cambial e em que existiam desequilíbrios, alguns estruturais.

No balanço global, os programas em que o Fundo se envolveu ajudaram a “ganhar tempo” para que, na zona euro, se criassem sistemas de proteção que não havia, se evitassem contágios e se permitisse o regresso ao crescimento e ao financiamento no mercado da dívida por parte da Irlanda e Portugal. Mesmo no caso da Grécia, “que é [um caso] único”, apesar dos erros e das crises políticas sucessivas, o país manteve-se no euro, o que Lagarde considera um saldo positivo.

No entanto, o FMI pretende ser uma “organização que aprende”, e, por isso, pediu a avaliação independente e tomou, em geral, em consideração as cinco recomendações feitas pelo IEO. A apreciação pelos diretores executivos do FMI e pela própria diretora-geral apontam para detalhes que são reveladores.

RECOMENDAÇÕES AO FMI

A primeira recomendação do IEO diz respeito à “minimização da intervenção política” na análise técnica e recomenda que se desenvolvam procedimentos. Lagarde concorda com o princípio, mas rejeita liminarmente a necessidade de novos procedimentos. Curiosamente, alguns diretores executivos consideraram que é necessário desenvolver procedimentos para proteger as equipas técnicas da potencial pressão política. Mas muitos diretores sublinharam que tomar em conta “considerações político-económicas e diferenças de pontos de vista legítimas pode oferecer perspetivas relevantes e ajudar a assegurar a viabilidade e o sucesso do programa”.

A segunda sublinha que as regras devem ser aplicadas e que não devem ser alteradas sem uma ponderação cuidadosa. Esta recomendação prende-se com a decisão do Fundo em isentar por razões de risco sistémico os membros do euro a resgatar da aplicação da exigência de reestruturação prévia da dívida soberana no caso de não estar garantida a sua sustentabilidade. “Isso deveria ter sido considerado com mais cuidado e transparência por parte da direção” do FMI, concordam os diretores. Lagarde considera que tal isenção surgiu em circunstâncias extraordinárias, mas que vai avaliar melhor se uma situação do género se repetir. Sublinha que, nas avaliaçõesex-post dos países resgatados, como a que está a ser desenvolvida para Portugal, o assunto já está a ser levado em conta.

A terceira aponta para a necessidade de explicar como aplicar as orientações existentes ao contexto específico de países membros de uniões monetárias. Os diretores consideraram importante a recomendação de que sejam clarificadas as circunstâncias e modalidades das regras de condicionalidade a impor aos resgatados no âmbito de instituições ao nível de união.

A quarta indica a importância de definir uma política de cooperação em iniciativas regionais de financiamento. Os diretores sublinharam a importância da flexibilidade.

A quinta aconselha a que o FMI reafirme a sua política de transparência e de prestação de contas e destaque o papel da avaliação independente (como é o caso da atuação deste Organismo).

António Guterres vence primeira votação para secretário-geral da ONU

An

tónio Guterres foi o candidato mais votado na primeira votação para secretário-geral da ONU, que decorreu esta quinta-feira. A notícia está a ser avançada pela agência AFP, que cita fontes diplomáticas.

Imediatamente atrás de Guterres ficou o ex-Presidente esloveno Danilo Turk. Na corrida ao cargo de secretário-geral estão, neste momento, 12 candidatos, metade dos quais mulheres, entre elas a ministra dos Negócios Estrangeiros da Argentina, Susana Malcorra, a antiga chefe do governo neozelandês e dirigente do Programa da ONU para o Desenvolvimento, Helen Clark, e a ex-ministra dos Negócios Estrangeiros búlgara e diretora da UNESCO, Irina Bokova.

A indicação de um candidato feita pelo Conselho de Segurança à Assembleia Geral requer, pelo menos, nove votos a favor, incluindo os dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança – China, França, Estados Unidos, Reino Unido e Rússia.

Na próxima semana, no dia 28 de julho, os 15 membros do Conselho de Segurança voltam a reunir-se para se pronunciarem sobre as candidaturas. A última votação está agendada para setembro. No início de outubro, deverá estar concluído o processo de eleição do futuro secretário-geral da ONU, que será finalmente empossado a 1 de janeiro de 2017.

Numa visita recente a Portugal, feita a convite do Presidente da República, Ban Ki-moon elogiou António Guterres, que considera “um grande líder, com uma forte visão”, e por quem tem uma grande admiração. Guterres, disse Ban Ki-moon, “deu um grande contributo à Humanidade como Alto Comissário para os Refugiados“, tendo deixado “um grande legado”.

Pagamentos ilegais e desvio de dinheiro na Escola de Hotelaria do Estoril

AE

scola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril (ESHTE) foi alvo de uma auditoria do Tribunal de Contas que concluiu que existiu nos últimos anos na instituição um sistema de controlo “deficiente” e que houve também despesas e pagamentos ilegais, sobretudo no ano 2012.

Após a análise das contas bancárias daquela entidade, o Tribunal de Contas apurou “um valor não documentado de 3.081,50 euros, que não consubstancia despesa pública, indiciando a prática de desvio de dinheiros públicos”.

A auditoria debruçou-se também sobre a gestão do fundo de maneio da escola. “Foram emitidos pela tesouraria, nos anos de 2012 e 2013, em nome da ex-administradora Cristina Santos, 41 cheques, no valor global de 34 895,54 euros, verificando-se que em alguns meses foram emitidos entre dois e seis cheques, sem que tivessem sido apresentados à contabilidade quaisquer documentos comprovativos da despesa realizada para efeitos da reconstituição dos fundos de maneio”, refere o relatório agora publicado pelo Tribunal de Contas.

Adicionalmente, diz o relatório, houve em 2012 e 2013 despesas superiores a 98 mil euros que “não se encontravam suportadas por documentos válidos ou fundamentadas/justificadas quanto aos motivos determinantes e específicos das decisões que suportaram a realização da despesa”.

O documento do Tribunal de Contas adianta ainda que “relativamente ao fundo de maneio da ex-administradora Cristina Santos, verificou-se a existência de pagamentos em 2012 e 2013, no montante global de 17.707,30 euros e 12.353,72, respetivamente, sem que tenha sido apresentada documentação que justificasse os movimentos financeiros em causa ou o respetivo destino ou finalidade, o que não permite aferir da legalidade da despesa realizada, nem enquadrá-la nas atribuições da ESHTE”.

Entre estes pagamentos sem a adequada justificação documental estão verbas destinadas a cobrir deslocações da ex-administradora da escola e do vice-presidente nos anos 2011 a 2013, viagens para as quais o tribunal não encontrou provas de terem sido autorizadas pelo presidente da instituição. Há também pagamentos em numerário de deslocações de docentes no âmbito do curso “Executive Master” para os quais o tribunal diz não haver evidência de efetivo recebimento por parte dos professores.

O Tribunal de Contas regista ainda uma utilização indevida de disponibilidades superiores a 25 mil euros que é suscetível de consubstanciar a prática do ilícito financeiro de desvio de dinheiros públicos e de constituir responsabilidade financeira sancionatória.

Na auditoria é apontada também a realização de despesas de 4.964 euros com refeições, combustíveis, estacionamento, táxis, entre outros, em 2012 e 2013, que não estavam devidamente justificadas, segundo o Tribunal de Contas, e que por isso podem ser considerados pagamentos ilegais e indevidos.

Outro ponto apontado pelo Tribunal de Contas é o elevado montante de dívidas de alunos, que no final de 2012 ultrapassavam 1,2 milhões de euros. No entanto, posteriormente a escola do Estoril recuperou uma parte dessa dívida, que em novembro de 2015 se situava em 594 mil euros.

O CONTRADITÓRIO

Como é normal na elaboração das auditorias, o Tribunal de Contas ouviu neste processo vários responsáveis atuais e ex-administradores da Escola de Hotelaria do Estoril.

O conselho de gestão da escola assegurou que entretanto já possui um manual de controlo interno e indica que em 2014 iniciou a adoção de um sistema de centros de custos.

O ex-vice-presidente da instituição, João Esteves Nunes Leitão, declarou ao Tribunal de Contas que “sempre deu por boas as informações e pareceres que os serviços davam (…) ou as informações que eram dadas pela administradora que tinha sido escolhida”. “Era, portanto, aos serviços e à administradora que, de certa forma, os coordenava no que respeita a matérias mais técnicas, que cabia a responsabilidade pela produção da fundamentação técnica que sustentava as decisões que eram tomadas”, escreveu Nunes Leitão no âmbito da auditoria.

Tanto o ex-vice-presidente como o ex-presidente, Fernando Matos Moreira, responderam ao Tribunal de Contas considerando que não lhes deve ser imputada qualquer responsabilidade. “Estamos (…) perante uma situação patológica, em que a autora dos atos está perfeitamente identificada, tendo, de alguma forma, assumido a responsabilidade”, declararam Matos Moreira e Nunes Leitão.

Já a ex-administradora Cristina Santos garante que na Escola de Hotelaria do Estoril sempre houve “situações menos corretas” relativamente ao fundo de maneio. “Sempre foi uma matéria muito desconfortável para todos os funcionários que tiveram à sua responsabilidade verbas atribuídas para as despesas pagas por fundo de maneio. No entanto, que saiba, nunca foi utilizado para pagar despesas não públicas ou particulares, mas sempre existiu a convicção que pagamentos menos corretos ou sem o devido suporte legal/documental deveriam ser pagos por fundo de maneio”, declarou Cristina Santos, segundo o relatório do Tribunal de Contas. “A despesa em si era legítima, a forma de comprovar o seu pagamento é que nem sempre existia”, argumentou.

Cristina Santos admitiu, aliás, que em matéria de ajudas de custos para deslocações houve pagamentos para viagens que não aconteceram. Sobre esses pagamentos, a ex-administradora respondeu ao Tribunal de Contas que “os mesmos foram entregues mais tarde porque, sabendo que essas viagens não tinham acontecido, mesmo tendo sido combinado entre mim e o ex-vice-presidente que essas despesas seriam justificadas por boletins itinerários, a entrega das mesmas constituía mais uma infração, e que de certeza, iria atravessar-me mais uma vez, com consequências graves”.

Esta ex-administradora foi alvo, em 2013, de um processo disciplinar movido pela escola, tendo a instituição em agosto de 2014 feito uma participação ao Procurador da República, junto do Tribunal de Cascais, sobre os factos susceptíveis de indiciar a eventual prática de crimes de abuso de confiança, abuso de poder, apropriação indevida de dinheiros públicos, entre outros.

Pelo menos 80 mortos em ataque em Nice

U

 camião atropelou esta quinta-feira à noite várias pessoas, no Passeio dos Ingleses em Nice, onde assistiam a um espetáculo de fogo de artíficio a assinalar o Dia da Tomada da Bastilha. O último balanço feito pelo ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, indica 80 mortos e 18 feridos em estado grave.

Sebastien Humbert, da câmara dos Alpes Marítimos (que incluí a região de Nice) fala num balanço é extremamente pesado. Acrescenta também que o camião estava carregado com armas e granadas.

O autarca de Nice, Christian Estrosi, apelou por sua vez à calma, pedindo à população que se mantenha em casa.

O condutor do camião, que é franco-tunisíno, foi abatido pela a polícia, confirmou Sebastien Humbert à BFMTV. As autoridades encontraram os documentos de idenficação do homem no interior do camião. François Hollande confirmou durante a madrugada que ainda está a ser investigada a possibilidade de haver cúmplices.

“Há pessoas a correrem, é o pânico. Há muito sangue, sem dúvida há feridos”, relata uma testemunha, citada pelo “Le Figaro”. Uma mulher que estava no local fez um relato à Reuters: “O camião veio aos zigue-zagues pela estrada. Fugimos para o hotel e escondemo-nos na casa-de-banho, juntamente com outras pessoas.”

Foi criado um perímetro de segurança e várias pessoas estão a ser assistidas no local. Há suspeitas, mas as autoridades não confirmaram ainda que se tenha tratado de um ataque terrorista.

À semelhança do que já aconteceu, os taxistas estão a transportar gratuitamente as pessoas que estavam no local.

Entretanto, o Presidente Francês, François Hollande, convocou o gabinete de crise – que inclui o primeiro-ministro, Manuel Valls, e o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve –, para discutir o reforço das medidas de segurança no país.

Hollande: “A França chora, mas ela é forte e será sempre ainda mais forte”

F

ançois Hollande lamentou esta noite a ocorrência de mais um atentado em França, reconhecendo que todo o país está sob a ameaça terrorista e que é vital reforçar as medidas de segurança. “Toda a França está sob a ameaça do terrorismo islâmico e nestas circunstâncias devemos demonstar vigilância absoluta e determinação sem falhas”, declarou o Presidente francês num discurso ao país, após uma reunião do gabinete de crise.

Segundo Hollande, este ataque de “caráter terrorista” não pode ser esquecido e é de novo de “uma violência absoluta”. “Devemos fazer de tudo para lutar contra o terrorismo”, acrescentou.

Hollande anunciou ainda o prongamento do estado de emergência – que terminaria no próximo dia 26 de julho – por mais três meses e a mobilização de mais 10 mil polícias e militares. Convocou também a reserva nacional para dar apoio aos efetivos da polícia, sobretudo nas zonas de fronteiras.

Sublinhando que a França foi “atacada no dia da liberdade”, o Dia que assinala a Tomada da Bastilha, Hollande acusou os fanáticos de odiarem os Direitos Humanos, mas garantiu que o país não irá ceder contra a ameaça terrorista.

“A França está horrorizada. A França chora, mas ela é forte e será sempre ainda mais forte do que os fanáticos que hoje querem acabar com ela”, prometeu o Presidente gaulês.

Pelo menos 77 pessoas morreram e 100 ficaram feridas esta noite em Nice, quando um condutor de um camião se dirigiu contra a multidão que se encontrava no Passeio dos Ingleses, a assistir a um espetáculo de fogo de artíficio. As autoridades francesas confirmaram entretanto que o atacante é franco-tunisino e foi abatido pela polícia.

François Hollande explicou que está a ser investigada a possibilidade de o condutor ter tido cúmplices. Nenhum grupo reivindicou ainda a autoria do atentado.

Contra os franceses, ‘marchons, marchons’

Se já é difícil ficar indiferente ao épico hino francês num jogo normal, então numa meia-final de um Europeu em França, com o Vélodrome a abarrotar, é praticamente impossível. Especialmente para os onze franceses que já entravam em campo motivados pelo festival ofensivo que protagonizaram contra a Islândia, vencendo por 5-2.

Foi assim, a todo o gás, que os franceses começaram a meia-final, empurrando a Alemanha para a área e assustando Neuer com – quem mais? – Griezmann. O pequeno francês de avô português é, de longe, o melhor jogador da França neste Europeu e, provavelmente, o melhor jogador de qualquer seleção neste Euro, não só – mas também – pelos seis (!) golos que já marcou.

Hoje foram mais dois do pequeno avançado do Atlético de Madrid, mas a verdade é que, na 1ª parte, ninguém diria que a Alemanha ia acabar a perder. É que os alemães – ainda que sem Hummels, Gómez e Khedira – dominaram por completo o jogo nos primeiros 44 minutos, mostrando uma qualidade ofensiva do melhor que já se viu neste Euro. Tabelas com Müller, remates de Can e Schweinsteiger, cruzamentos de Kimmich – foi quase tudo bem feito.

Quase, porque faltou o golo, num jogo em que os primeiros 20 minutos foram frenéticos e tiveram mais remates à baliza do que 90% dos jogos de um Euro que tem sido mais defensivo do que ofensivo. Só aos 45 minutos houve golo, mas do lado que ninguém esperava. Canto para a França e o capitão Schweinsteiger praticamente imita o desastrado penálti de Boateng contra a Itália, acabando por tocar com o braço na bola em disputa com Pogba.

Mesmo antes do intervalo, a França apanhava-se a ganhar com um golo praticamente caído do céu e nem a reação alemã foi suficiente para penetrar na densa organização defensiva francesa, que foi sempre fechando o corredor central de forma exímia. A Alemanha ainda tentava entrar pelos corredores laterais, onde eram Kimmich (que ainda mandou um remate ao poste) e Hector a dar largura, com os extremos Özil e Draxler a aparecerem por dentro, mas nenhum dos laterais era especialmente versado nos duelos individuais e faltava à Alemanha a referência na área, até porque Müller ainda não tinha conseguido marcar neste torneio.

Já depois de Didier Deschamps assumir plenamente a postura mais cautelosa, tirando Payet e pondo em campo Kanté, Boateng lesionou-se e Löw colocou em campo Mustafi, não mexendo na estrutura da equipa. E foi Mustafi que foi enganado por uma finta de Pogba, que meteu a bola na área e – depois de uma saída pouco feliz de Neuer – Griezmann voltou a desequilibrar: 2-0.

Os alemães ainda lá foram, mas houve pouca pontaria e muito Lloris a travar os campeões mundiais. François Hollande bem tinha dito que a final que queria era um Portugal-França e foi feita a sua vontade. Domingo, no Stade de France, lá estaremos – onde tudo começou, há dois anos: no primeiro jogo de Fernando Santos, a seleção portuguesa perdeu com a francesa, por 2-1. Vamos mudar a história?

Carlos Cruz já está em liberdade. “Isto não acaba aqui”

Oe

x-apresentador Carlos Cruz classificou esta quinta-feira a saída em liberdade condicional como “mais uma etapa de uma longa maratona” para provar a sua inocência, junto de todas as instâncias judiciais, incluindo o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

“Isto não acaba aqui”, declarou Carlos Cruz à saída do Estabelecimento Prisional da Carregueira, Sintra, onde era aguardado por familiares e pelo seu advogado, Ricardo Sá Fernandes.

O antigo apresentador de televisão garantiu que vai “continuar a suscitar todas as entidades nacionais e internacionais”, até que reconheçam que está inocente.

Questionado pelos jornalistas, sobre o facto de o acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa impor que Carlos Cruz procure trabalho, o ex-apresentador reiterou que recebeu alguns convites para “fazer coisas” ligadas à comunicação, mas que é “prematuro” assegurar se vai conseguir ou não arranjar trabalho, observando que é um reformado e não um desempregado.